Mês de Agosto. Ai o calor e o Verão! Enfim… Por esta altura já tinha sido capaz de entregar o malfadado relatório que me custou 9 horas seguidinhas de trabalho e um laptop em cinzas… É verdade. Ardeu. Mesmo. Tipo… pegou fogo.

Trabalhos entregues, especialidade de obstetrícia acabada e venham as férias que a malta quer é jolas e caracóis… ah e casamentos.

Chegou o fim de semana do casamento da Mafalda e lá fomos nós amiguinhas com o Sr. Milu, companheiro de 4 patas. Escusado será dizer que a viagem até Viseu foi praticamente em monólogo: eu a partilhar com a minha amiga as experiências quase paranormais de que fui vítima e todo o enredo da história que estava a escrever.

Nesta altura já havia uma história. Muito à custa do que fui sonhando é verdade, mas nos sonhos as coisas apareciam em pedaços e eu tinha de as ligar. Essa parte era um desafio. Criar as personagens, dar-lhes corpo. A minha experiência nisso era nenhuma.

A minha amiga achava o máximo eu estar a escrever uma história.

“Conta mais, conta mais!” E aquilo deixava-me entusiasmada. Ter alguém com quem partilhar a minha loucura.

Descrevi-lhe a locomotiva antiga, negra de ferro… A gruta de pedra onde se escondeu a besta e como o comboio perturbou o seu sono. Descrevi-lhe a casa apalaçada onde se dava parte da acção, as divisões, a escadaria… Descrevi-lhe os detalhes todos que eram tão vivos na minha cabeça… como se lhe estivesse a contar o ultimo episódio de uma série que ela perdeu.

“Temos de ir lá ver isso! Essa casa!” A Sandra sempre foi uma mulher aventureira e de aceitar desafios. Aceitei a sua sugestão e lá fomos, em busca da casa misteriosa.

Tínhamos ido para Norte com tempo, a ideia era mesmo passear e chegar ao casamento um dia antes. Chegamos a Torredeita cedo. É uma terra pequena.

“Vira aqui.” Disse a Sandra. Eu virei. Fomos dar à antiga estação.

Lá estava uma locomotiva negra. Recuperada. Como que à espera que nós embarcássemos.

Nenhuma de nós sabia que aquilo estava ali.

Eu tinha passado a viagem inteira a descrever aquilo que agora estava à nossa frente. Foi um choque.

Saí do carro e comecei a correr. A ferrovia estava transformada em ciclovia e o caminho era fácil de percorrer. Ela vinha atrás de mim, máquina fotográfica em punho (vejam as fotografias). Parecíamos duas tontinhas.

Eu estava a ver com os meus olhos o que o meu cérebro tinha sonhado. Nunca tinha estado ali. Nunca! Mas sabia o que estava à procura… TINHA SONHADO COM AQUILO!

500 metros à frente estava lá… tapada com vegetação… Um esconderijo de pedra.

Senti o sangue a esvair-se do meu corpo e só tive tempo de dizer…

“Sandra… Não me estou a sentir bem…”

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